Migrando Web Sites locais para a nuvem


Migrar dados para a nuvem pela primeira vez pode ser muito mais simples do que a maioria das pessoas pensa. Normalmente o primeiro cenário a se pensar é o de backup, pois acaba sendo uma segunda réplica do backup já existente (seja ele em fita, disco, ou outro mecanismo de armazenamento). Mas há outros cenários possíveis que não são necessariamente complexos. O objetivo deste artigo é explicar como funciona este processo, abordando cenários, vantagens, desvantagens e recomendações.

Cenário

O primeiro cenário proposto para migrar servidores para a nuvem é o de Web Servers. A principal vantagem é o fato de existir cenários de implantação disponíveis (PaaS, IaaS – abordados posteriormente neste artigo) que oferecem maior flexibilidade de escolha. Outros cenários como Servidores de Arquivo, Servidores de Impressão, Servidores de Aplicação e Controladores de domínio exigem análise um pouco mais minuciosa.

Web Servers corporativos podem ser baseados em IIS (Internet Information Services – Windows Server) ou Linux (Apache ou outras plataformas). O Microsoft Azure (plataforma de nuvem pública da Microsoft) oferece suporte tanto para plataforma Windows quanto Linux, ao contrário do que muita gente pensa, e várias linguagens são suportadas (Node.js, Java, ASP.NET e Python).

Outro ponto importante: é muito comum encontrar cenários de Servidores Web que necessitam acessar bancos de dados (tanto local como remotamente), da mesma forma que alguns precisam de uma camada intermediária de servidores de aplicação. Nestes casos é importante analisar diversos fatores. Citando apenas dois como exemplo:

  • Camada Web ou intermediária (front-end e/ou aplicação): existe alguma aplicação específica e proprietária que deve ser instalada localmente? Existem configurações locais no sistema operacional (e não no IIS ou Apache) que devem ser feitas para a solução funcionar?
  • Camada de dados (banco de dados): O banco de dados é baseado em qual plataforma (SQL, Oracle, MySQL, outros)? Existem configurações locais no sistema operacional que devem ser feitas para a solução funcionar?

Caso algum ponto acima de atenção exista (ou qualquer outro que não tenha sido listado) então há a necessidade de um estudo mais minucioso para entender as opções de migração.

Caso seu Servidor Web não exija configurações especiais no sistema operacional (ou aplicativos específicos instalados localmente que sejam necessários para a solução funcionar) então a primeira opção para testar a migração é o PaaS (Plataforma como Serviço). Caso não seja possível então vá para o IaaS (Infraestrutura como Serviço).

Plataforma ou Infraestrutura?

A Plataforma como Serviço (Platform-as-a-Service – PaaS) é uma das modalidades de serviço oferecidas pelo Microsoft Azure. No PaaS você não gerencia a infraestrutura básica (sistema operacional, rede e servidor) nem o middleware – apenas a sua aplicação e os dados da mesma. Na prática significa que você não vai fazer atualizações no sistema operacional e nada mais que estiver abaixo desta camada.

Na Infraestrutura como Serviço (Infrastructure-as-a-Service – IaaS) você gerencia o sistema operacional, os aplicativos e os dados da mesma. Na prática significa que você não vai configurar a parte básica de infraestrutura (endereçamento IP, energia e controladora de disco).

No modelo de Software como Serviço (Software-as-a-Service – SaaS) você não gerencia a camada de aplicação nem o sistema operacional. Apenas utiliza a aplicação, sem ter nenhuma responsabilidade de gestão sobre o ambiente.

Se o servidor web necessitar de configurações extras no sistema operacional (ou aplicativos instalados localmente) então é quase certo que o cenário de uso será o de IaaS ao invés do PaaS.

Para decidir qual caminho iniciar sua migração de servidores e aplicativos siga o fluxo abaixo:

Nem tudo pode ser migrado para a nuvem e isto é um ponto muito importante. O objetivo de migrar para a nuvem é principalmente ganhar agilidade e reduzir custos com manutenção. Entretanto há situações que podem impedir a migração (normas regulatórias que impeçam a empresa de mover dados para a nuvem, por exemplo).

Outro detalhe: é possível ter uma combinação de uma solução parte PaaS, parte IaaS ou até mesmo parte local na sua infraestrutura.

Benefícios

A seguir deixei listado alguns benefícios que você vai obter movendo seu servidor web para a nuvem. Importante salientar que, a partir do momento que você inicia a adoção de soluções de computação em nuvem, é necessário aumentar a redundância com este canal. Na prática significa que você deverá ter uma contingência de acesso à Internet, da mesma forma que deverá provisionar banda de rede suficiente para atender seus usuários internos que façam uso da mesma.

  • Custo com gerenciamento e manutenção

    Os custos relacionados a problemas comuns em infraestrutura como nobreak, cabeamento e problemas diversos de hardware deixam de existir. Cada tipo de oferta em computação em nuvem possui SLAs específicos. Além disso há também os custos relacionados com a manutenção operacional do ambiente (exemplos: operador de backup e técnico de hardware)

  • TI Verde

    Um dos principais pontos de benefício da computação em nuvem refere-se à redução de consumo de energia e redução na emissão de CO2 no meio ambiente. Um servidor consome não apenas energia elétrica de alimentação, mas também energia elétrica para refrigeração e espaço físico. Neste aspecto considero que seja pouco explorado este benefício nas empresas, pois a maior parte da atenção refere-se apenas à redução de custos operacionais e manutenção.

Iniciando sua jornada

A Microsoft criou uma ferramenta web que auxilia a migração de servidores IIS para o Microsoft Azure. Esta ferramenta é gratuita e consegue analisar e mover seu web site no IIS para o Azure Web Sites (modelo de PaaS). O objetivo da ferramenta é facilitar a migração do IIS para o modelo de PaaS, através de relatórios de incompatibilidade (caso existam) e teste de migração.

Nada impede que você crie manualmente seu web site no Azure (seja em Linux ou Windows) e migre os dados de forma manual. Em alguns casos faz muito mais sentido fazer desta forma e é importante entender que a opção apresentada neste artigo não é a única e definitiva.

O assistente de migração pode ser acessado através da seguinte URL: www.movemetothecloud.net e é bem simples de utilizar. Através desta ferramenta você pode verificar quais recursos serão afetados durante a migração ou simplesmente gerar um relatório com tais informações.

Para facilitar criamos um curso no Microsoft Virtual Academy (MVA) que mostra todo os passos para instalar a ferramenta e testar sua migração.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O objetivo deste artigo foi mostrar uma das opções para mover de forma simples seus web servers locais para o Microsoft Azure. Importante lembrar que uma assinatura do Microsoft Azure (mesmo a trial) é necessária para utilizar tal recurso.

Uma outra opção para mover seu web server (ou até mesmo um servidor de aplicação) para o Microsoft Azure é através da clonagem de disco. Neste modelo o servidor local tem seus discos locais convertidos para VHD e posteriormente são copiados para o Microsoft Azure como uma máquina virtual no modelo de IaaS. Neste cenário você pode usar o Disk2vhd para conversão.

LINKS DE REFERÊNCIA


Autor: Microsoft Tech